Twitter

domingo, janeiro 22, 2017

Por tanto tempo

XXIX

Por tanto tempo, desvairado e aflito,
Fitei naquela noite o firmamento,
Que inda hoje mesmo, quando acaso o fito,
Tudo aquilo me vem ao pensamento.
Sal, no peito o derradeiro grito
Calcando a custo, sem chorar, violento...
E o céu fulgia plácido e infinito,
E havia um choro no rumor do vento...
Piedoso céu, que a minha dor sentiste!
A áurea esfera da lua o ocaso entrava.
Rompendo as leves nuvens transparentes;
E sobre mim, silenciosa e triste,
A via-láctea se desenrolava
Como um jorro de lágrimas ardentes

Olavo Bilac

domingo, dezembro 18, 2016

Galeria de lembranças

Olha, eu vou te explicar o que acontece comigo quando abro minha galeria de fotos do computador.

[Aqui o ponto central é você. Sempre é. São as suas fotos, mas são as nossas histórias, nossos momentos, nossos sorrisos, nossos beijos, nossos encontros... Mesmo quando é só você ou somente eu nas fotos, somos nós dois, cada um em seu canto, mas com o pensamento no outro. Sempre foi assim.
Ainda que na época do registro não nos conhecêssemos, estava escrito, e mesmo que eu não soubesse, eu já sentia. E mesmo que eu não sentisse, eu já esperava.]

Primeiro o estomago fica bem embrulhado, e daí parece que toda hora sobe algo até a garganta e volta. Eu fico na dúvida se quero vomitar, gritar ou chorar.

Segue.

Os braços já estão bem dormentes nesse momento, da mesma forma que o coração ta batendo muito forte como se eu tivesse subido uns 4 andares, de escada, correndo (se você faz isso bem, parabéns. Eu não).

Às vezes minhas mãos suam muito, outras vezes ficam extremamente secas. Sempre em extremos. Mas é o de menos, já que estou tremendo bastante. Lembrando que os braços estão dormentes.

O estomago dói cada vez mais e a fadiga e a vontade de chorar aumentam.

As pernas balançam sem parar, como se eu estivesse ansiosa por algo. Ansiosa pelo quê? Já vi essas fotos dezenas de vezes... De alguma forma parece novo. As fotos ou os sentimentos.

Eu abro o navegador e pesquiso coisas aleatórias pra disfarçar (ou então pra não morrer de agonia e aflição). Minimizo e a pasta de lembranças está lá, me observando. Rindo de mim, me beijando, me abraçando, dormindo nos meus braços, fazendo careta...

O teto do quarto parece uma tela de cinema agora. Olho pra cima e fico assistindo flashback daqueles iguais os de filme, com risadas, leveza e a incapacidade de imaginar que estaria aqui e agora olhando as suas fotos (nossas fotos), segurando a dor e a vontade desesperada de te pegar nos braços e não soltar nunca mais.


Já me disseram que pode não ser saudável ficar olhando nossas fotos, mas você já teve medo de estar perdendo ou esquecendo cada detalhe de alguém por culpa da distância? Talvez isso te mantenha vivo e nítido dentro de mim. Ou então, quem sabe, esse sentimento doloroso, mas forte, é o que me transporta pra bem perto de você (já que você decidiu desaparecer dos meus sonhos faz tempo)?
Não sei exatamente o porquê de eu insistir nesse ritual, nessa mania que me quebra e me destrói inteira, mas cá estou com as pernas balançando, braços dormentes, estômago embrulhado, nó na garganta e uma vontade imensurável de você.

sexta-feira, agosto 05, 2016

O filho perdido

Quando eu escrevo algo sinto que tô mexendo na parte mais frágil de mim. Eu não penso muito, talvez por isso escrevo pouco. Sinto grande necessidade então escrevo. De dentro de mim vou retirando palavras dotadas de peso e sentimentos, vão se formando frases até que tenho um texto com meu dna. E se depois de feito o texto some, não me resta nada a não ser aceitar. A dor do texto perdido, tô sentindo agora. É como se você abrisse seu coração a um amigo e o retorno fosse uma carinha “:/” ou um “puxa… que triste…”
Eu não tenho em mim gravada nenhuma das palavras escritas. A partir do momento que saíram de mim, se não houver cópia imediata, eu não reconheço mais. Não sou capaz de repetir.
Até parece que com as palavras foram embora também os sentimentos. Quem sabe não é essa a terapia que eu tanto precisava? Escrever e destruir. Libertar.  Pfff. Desapego demais pra quem não aprendeu ainda a perder as coisas.
Ainda sei o que senti, só não sei reproduzir.
Deixa pra próxima, uma hora a dor e choro voltam.

quinta-feira, agosto 04, 2016

Beira do abismo

Me acostumei a mudar na segunda-feira.
Segunda era o dia, enfim, de mudar os hábitos, os pensamentos, e tudo que viesse a me incomodar.
Mas hoje é Quinta, e justamente hoje eu não aguento mais.
Se ao menos fosse Domingo...
Hoje eu quero desistir, hoje eu quero parar, hoje eu decretei o dia fatídico em que se eu não mudar, eu nem imagino o que restará de mim na Segunda. Eu resolvi relatar, pontuar, formalizar, textualizar e eternizar o momento em que eu fiquei saturada de mim e das minhas dores. Eu me sinto pequena demais pra tudo que tenho carregado. A minha dor não é maior que a sua, mas ela é minha.

O meu peso não suporta mais o peso da minha dor. A minha mente, não suporta mais o meu corpo, e vice-versa. To andando num caminho escuro, eu nem sei mais onde eu tô pisando.

Eu sinto a insanidade chegando lentamente, tomando lugar, arrumando as roupas no armário, deitando na minha cama, puxando, cada vez mais, um pouco mais, com mais força, todo o meu ser pra um lugar sem sinal, sem luz, sem saída, sem socorro, e pouco a pouco sem mim.
Preciso me encontrar. Preciso me esvaziar de todo esse peso. Eu ainda não sei como, tô procurando ajuda, tô procurando saída. Mas se tem um dia pra eu começar a mudar,
que seja hoje... Antes que eu me perca de mim e de vez.

sábado, junho 18, 2016

E o que restou de mim senão Saudades suas?

Com medo de ferir seu espírito e te afastar de mim, eu sequei meu rosto, sorri e disse: já já vai ficar tudo bem, eu te prometo, meu amor! (Me disseram que eu precisava encontrar paz, pra te deixar em paz.)

Agora eu acredito em vida após a morte, reencontro, missão. Talvez seja apenas o desejo de te ter por perto, não sei bem. Pois veja, que cruel é pensar que um corpo cheio de vida, com calor, fala, movimentos, ideias, projetos,… de repente é um saco pesado de nada. Um amontoado de carne, que vai putrificar com o tempo até deixar de existir. E você? E aquele que tanto amei, troquei ideias sobre os “porquês” da vida? Pra dar um sentido a tudo isso resolvi acreditar. Afinal, cê foi ou não foi um anjo em vida? Maravilhoso demais pra não ter motivos a sua existência.

Mais uma escorre pelo rosto, insistente essa. Imagino você me olhando de algum lugar que ainda não consigo definir se é perto ou longe, cima ou baixo.

“Flor, não chora. Eu continuo aqui!”

A vida agora é essa, imaginar as suas falas pra reconfortar o coração assustado, com medo e dor.

Se você tá aqui, aparece pra mim!! Eu juro, meu medo do ‘sobrenatural’ não existe mais. Tenho agora um desejo forte de que os espíritos existam, e possam nos visitar. (No próximo aniversário já sei meu desejo ao soprar as velinhas!!)

Dizem por aí que algumas pessoas têm mais ou menos sensibilidade pra ver, sentir e falar com pessoas do além. Não vou brincar com o copo nem compasso, mesmo se funcionasse você iria ficar quieto rindo da minha cara, só! Talvez eu deixe a porta aberta (figurativa), faça uma oração pra Deus e um papo aberto contigo te liberando pra aparecer qualquer dia aí pra mim, pra nós olharmos, ou qualquer coisa assim.

Um mês da sua ausência física.
Só o tempo, disseram…
Dias, semanas, um mês.
A dor aumenta, com saudade, sem remédio, sem dó. O tempo passa, com pressa, sem espera, sem dó.

E não há nada que possamos fazer…

sexta-feira, junho 17, 2016

Me chama - Barão Vermelho

"Chove lá fora e aqui
Tá tanto frio,
Me dá vontade de saber
Aonde está você,
Me telefona,
Me chama, me chama, me chama!

Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima.

Tá tudo cinza sem você,
Tá tão vazio e a noite fica sem por quê.

Aonde está você,
Me telefona,
Me chama, me chama, me chama!
Nem sempre se vê
Mágica do absurdo
Mágica do absurdo
Mágica cadê você

Nem sempre se vê
Lágrima no escuro
Lágrima no escuro
Lágrima

Aonde está você,
Me telefona!
Me chama, me chama, me chama!

Cadê você..."

Memórias do que não fizemos

O cartão que comprei pra ti mas “vou entregar numa data importante”, continua na minha gaveta.
O lugar que você queria ir mas “um dia vamos lá”, não terá mais nossa presença.
O filme que você queria que eu assistisse contigo mas “hoje não, outro dia”, não vai ter seus comentários no final.
As viagens que planejamos mas “vamos esperar as condições melhorarem”, não saíram do papel.

Os bares que não fomos, os amigos que não visitamos, os lugares que não conhecemos, as fotos que não tiramos, as músicas que não ouvimos, os desejos que não realizamos,…

Apesar de todo amor, intenso e bem vivido, o que deixamos de fazer insiste em visitar meus pensamentos no menor dos descuidos… Os planos, desejos e projetos ficaram pendurados no cabide da saudade. As pendências pouco (ou nada) interferem no que vivemos, mas o vazio de Você me traz à tona todos os outros pequeníssimos vazios que fomos deixando ao longo do tempo.

“Depois”, “amanhã”, “um dia”. Até que não haja mais tempo…

Suas memórias

Aqui parece um santuário. Pra onde eu olho, vejo suas fotos. Espalharam seu rosto pela casa toda. Ricardo neném, Ricardo no jiu-jitsu, Ricardo na natação, Ricardo com o cabelo grande, Ricardo em Arraial do Cabo,…
De manhã esbarrei com você ao ir beber água, cê tava sentado na escada com aquela camisa preta que hoje já tá bem gasta. Tão novo, sorriso inocente.
Mais tarde, sentei do seu lado na sala enquanto você exibia suas bóias de braço. Ainda nem sabia nadar, mas pra mim foi um peixe querendo me mostrar o oceano. Quando pegava o manche, não tinha ressaca, marola, vaga ou sudoeste. O meu medo do mar se desfazia quando você me puxava pros teus braços.
Numa hora qualquer, assistindo TV lá estava você barrigudinho, dando seus primeiros passos. Que ironia… Você que caminhava tão bem pelos problemas, decisões, e caminhos da vida…
Em nenhum desses momentos eu tava presente. Gostaria, mas não tava.
Fragmentos do pequeno Rick. Te conheço cada dia mais, sobre o que você foi antes de mim. Monto dentro de mim um retrato perfeito de todos os Ricardo que conheço e tô conhecendo. Você continua maravilhoso. Continua o mais sensacional dos seres humanos criados nessa terra-perdida-de-meu-deus. Genial e inteligente como só você poderia ser. Fico triste… desanimo… e aí me vem a mente seu rosto sereno e determinado “Mente sobre o corpo, Carine. Sua mente é quem comanda. Você venceu seus medos comigo. Você mostrou que é capaz. Continue lutando”. Você também, meu amor. E é em você que me inspiro.
Obrigada por tudo. Te amo eternamente!
Eu sempre temi a perda,
mas perdi.
Perdi os meus medos. Perdi o endereço de casa. Perdi o meu rumo. Perdi tudo, pra poder te encontrar.
E encontrei.
E ganhei.
Ganhei abrigo, ganhei apoio, ganhei segurança, ganhei gratidão, ganhei amor.

E EU, que sempre temi a perda… me perdi. Me perdi quando te vi partir. Me perdi quando te chamei e você não respondeu. Me perdi quando seu cheiro não era mais seu.
Deixei de ser eu, quando você não estava mais lá…

O tempo não vai apagar

Cada mínimo detalhe do dia grita, BERRA você.
O lugar, a hora, o tempo, a companhia, como vai, como volta, a música, o silêncio…

O que tenho agora é tão meu, tão profundo e sinceramente meu, que sinto ciúmes até em compartilhar. Suas minúcias, particularidades divididas, sorrisos, olhares, mãos, pernas… Você, eu.
O que eu sei, só a mim pertence. O quão profundo é, só eu sinto. E lembro… e dói.

Vazio.

Desperto num clique de sonhos contínuos, pra me recuperar, e torno a me aventurar. Pensar em você é meu bem, meu mal. Mais bem que mal.
Você que me mostrou o mundo da nossa cama.
Você que me tocava, sorria, e a vida mudava de cor.
Você que simples e ‘como quem não quer nada’ conquistou tão profundamente o coração, os pulmões, o estômago, o cérebro, o corpo totalmente entregue e extasiado de sua amada.

SINTO SUA FALTAAAaaa, e de todas as palavras essas doem mais dizer. Dos rodeios que dou, vira, mexe, solta, vocifero a realidade nua e amedrontada pra ver se acredito. Sinto a sua falta. Sua ausência. O vazio que deixou em todos os cantos que olho, fora e
dentro
de
mim.

E mesmo ausente, você está presente.

Forasteiro - Thiago Pethit

"É primavera
Curam tristezas
Tudo muda demais por aqui
Forasteiro
Tua distancia
Se eu sentisse
Poderia mudar, mas não vou

Por onde é que andarás
Só me diga e eu prometo
Esse rio descansará

Você frio
Perto da noite
Longe de mim e eu mal sei
Onde estou
Cruzei vilas, me perdi
Além das ruas
Nossa historia não mudou

E tanto eu tenho pra dizer
Se eu só pudesse te olhar
E se tens em mim o teu revolver
Hei de te próprio disparar
Por onde é que andaras?"

Cenário de paz

Depois de uma noite inteira de chuva, relâmpagos e trovões (!!!!), amanheceu com um sol lindo, céu lindo.
A árvore na janela do meu quarto produzia sua chuva particular, quando o calor batia e as gotas caíam l e n t a m e n t e…
O cenário de umidade por todo lado e o sol aquecendo o dia, apesar de tão simples, renovou as minhas forças. Fiquei na janela sentindo essa mudança climática fora e dentro de mim.
Sorri.
Será mesmo que depois da tempestade vem a calmaria?
Quis chorar.
Não de tristeza, mas pela paz que me invadiu. É possível eu te sentir sorrindo pra mim e me acalmando? Pois sinto que foi exatamente o que aconteceu. Te vi nesta manhã, da forma mais calma e tranquila.
Te vi em tudo o que me despertou
paz e
segurança.
Sinto muito a sua falta, meu bem, mas hoje te senti um pouco mais de perto.

sexta-feira, julho 24, 2015

Por não saber dizer, escrevo

Escrevo agora por dó de mim. Pó de mim. O que resta de mim? Rodopio no meu próprio eixo feito bichinho procurando aconchego, mas o que procuro é bem mais, é bem maior. "Só sei que nada sei" disse Sócrates de Platão dizem por aí. Esse cara, não tenho dúvidas, me conhecia.

Gota por gota, posso ouvir caindo, gota   por   gota fiz de mim OCEANO (aposto que alguém já citou isto).

Volto ao bichinho em busca de si. Rodopio, rodopio, caio. Caio, machuco. E sem quê nem porquê rodopio de novo. Em busca de mim, tonta que sou, me perco. Não sei onde estou, nem porque. Não sei pra onde vou, nem porque. Não sei o que é dor e não me importo.
Dó de mim por não saber. Rodopio e não me encontro. Saio, bato porta, bato o pé e o coração bate também (como falar de dor e não falar do coração?).

A minha gastrite, agora esquecida, dói bem menos que essa aguda tristeza. Queria eu sentir só a ferida que a endoscopia filmou. A danada da tristeza se alojou e disse não querer partir. Prepotente que é ainda ousa negociar: disse não perder lugar enquanto eu não me encontrar. Dó de mim.
Dó nada. Quero mais é que se foda (peço licença à senhora Poética). Não faço sentido nem a mim, a quem explicar a minha solidão? Solidão sim, tristeza sim, dor sim. Num dizem que admitir é o primeiro passo para a cura? E se for um vício sentir?
Eu não sei.
Nada.
Sei.
Nada sei.
Eu não.
Nada.
Vazio. Sozinha. Rodopio. Perguntas. Caio, sozinha, no vazio. E eu só consigo sentir um tudo e um nada. Você consegue me entender?

Notas de rodapé:
Tentei escrever algo sensato, mas parece que só fará sentido pra mim. O alvoroço dentro e fora é tão grande que não cabe em frases normais e bem pontuadas.
Psicólogos, não me levem tão a sério. Parte de mim é drama injustificável, outra parte, quem sabe, é loucura. E loucura, muito menos a loucura!, precisa de justificativa para ser. O que há em mim eu não sei; Só não desejo perder o controle e transportar insanidade e problemas aos inocentes.

Eu quero buscar a paz mas não deixo de cortejar a dor. Puxo, repuxo e rodopio. Caio no mesmo lugar.

sábado, março 21, 2015

Trust in me

Trust in me in all you do
Have the faith I have in you
Love will see us through, if only you trust in me
Why don't you trust me?
Come to me when things go wrong
Cling to me daddy and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me
While there's a moon, a moon on high
While there are birds, birds to fly
While there is you, you and II can be sure that I love you...
Stand beside me, stand beside me all the while
Come on daddy face the future, why don't you smile?
Trust in me, and I'll be worthy of you
Why don't you trust in me in all you do?
Have the faith that I have in you
And love will see us through, if only you trust in me
Why don't you come to me, when things go wrong, cling to me and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me...

Etta James

segunda-feira, março 16, 2015

Um drama de domingo à noite

Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. E fim.

quarta-feira, março 11, 2015

A que ponto chegamos...

Perdi o ônibus na volta do trabalho. Peguei o Divisa Mangaratiba mais tarde hoje. (Imagino que o ser superior que rege esse mundo tenha um método muito eficaz de fazer os eventos da vida combinarem.) Naquele ônibus ninguém me conhecia, ou pelo menos eu penso que não. No MEU filme eram todos desconhecidos, suados e cansados, determinados a chegar em casa e ter tudo sob controle. No meu filme não tem trilha sonora, não nesse. Era só eu e os barulhos dentro de mim que eu precisava conter. Por que? "Se solta, garota. Deixa rolar." Não faça isso! Foi um longo dia de trabalho, ninguém quer ver uma menina beirando seus 20 anos abrindo a boca e chorando feito criança, olhando para os lados com cara de quem quer colo e um afago.

Por um momento a menina pálida de coque nos cabelos bagunçados quis parar o ônibus e contar a sua história. Mas que história? Existe uma? É só drama ou coisa qualquer. Um pouco disso e muito daquilo. Talvez o motorista se comovesse com o meu drama e chorasse também e começasse a falar sobre ele. Eu aposto que sua história seria digna daquela plateia.

Corta pro ônibus em movimento. A "viagem" dura 5 minutos. Meu filme não é um longa metragem, é um curta. Acho eu nem seria aplaudida. Desço do ônibus, ninguém notou a angustia que me acompanhava. Entro na minha rua. Nenhum vizinho me recebe com um boa noite. Chego em casa, minha mãe está na varanda e provavelmente vai me abraçar como faz todos os dias. Eu não dou tempo. Entro, tiro as minhas roupas e me desfaço debaixo do chuveiro.

Corta pra pseudo-escritora trancada no quarto enrolada na toalha úmida. É só uma crise. Só mais uma. Saio do quarto e vou em busca do melhor remédio, o abraço da minha mãe que ficou algumas linhas acima.

É só mais um começo. Um dia eu me acostumo.

Todos os caminhos

"Eu já me perguntei se o tempo poderá
Realizar meus sonhos e desejos
Será que eu já não sei por onde procurar
Ou todos os caminhos dão no mesmo
E o certo é que eu não sei o que virá
Só posso te pedir
Que nunca se leve tão a sério
Nunca se deixe levar
Que a vida é parte do mistério
E é tanta coisa pra se desvendar

Por tudo que eu andei e o tanto que faltar
Não dá pra se prever nenhum futuro
O escuro que se vê quem sabe pode iluminar
Os corações perdidos sobre o muro"

Lenine

Sobre querer ser e o que se é

Me diga, nobre rapaz: é loucura demais sonhar? Ora, os senhores sabem muito bem do que se trata. Sem a necessidade de fechar os olhos e mesmo assim elevar-se ao libertador mundo dos teus sonhos. O senhor consegue sentir o cheiro do seu lugar? A senhorita sente os pés tocarem o solo? E então a sensação de flutuar em um sonho que, na verdade, está armado de mil impossibilidades.

É invisível pra você os limites do teu muro, mas ele está lá! E então tudo de desforma e toma sua antiga forma. A caixa está como havia deixado, vazia e cheira umidade. A chamamos Vida, não é mesmo? É uma linda caixa (vazia)... Como um ser em sã consciência pode se querer fora da caixa? Afinal, é tão grande lá fora e tem espécies perigosas com diferentes maneiras de se tratar. Poderia experimentar suas comidas, mas certamente iria regurgitar ou então queimar a língua. Mas que diabos! Lembraria disto o resto da semana, talvez o mês ou quem sabe jamais esqueceria. Por que poderia ser agradável memórias de diferentes aromas, sabores, olhares, "olás" e "adeus"?

É uma constante ou totalmente irracional? De qualquer forma eu nunca fui boa em matemática mesmo, talvez eu tenha nascido incumbida de pensar e parafrasear os verbos de ligação: ser, estar, ficar, continuar". O que você está sendo? Você quer ficar? Onde você poderia estar? São os seus sonhos, você escolhe continuar, ou acordar...

Corta para o som das batidas do coração. Fecha nos olhos. Fecha os olhos. É o fim.

Será?

quarta-feira, novembro 05, 2014

Da janela de seu quarto ela observava, paralisada, a luz do poste da rua, e percebia o quão insignificante era. Ela, ainda regozijando de seu momento tenro de êxtase pós coito, não se dava o luxo de tentar entender ou conciliar o porque aquela luz, aquela distância, aquele vazio a fascinava tanto. Só soube sentir. E sentia tanto muito quanto nada.
Podia ouvir as crianças brincando na rua, gargalhando felizes, mas sabia que aquele momento era só dela.
Ficou ali parada e pode ver os primeiros pingos de chuva caírem e serem descobertos pela luz do poste. Ela sentia, ainda mais intenso, fazer parte de cada segundo que a natureza e a vida se transformavam. A luz do poste de repente apagou... Sentiu seu coração doer como um amigo que parte. Eu juro, seus olhos marejaram e quase chorei com ela, pois a luz que se apagou não refletia tão bem em seus olhos como a lua que agora ela enxergava.
Uma leve, tão leve brisa tocou-lhe o rosto quase como um afago e ela sentiu-se novamente presa àquele momento. Abria os lábios, mexia-os tão lenta e delicadamente comos se fosse entoar uma poesia ou então uma canção pra lua, pro céu, pra brisa ou pra luz do poste que se foi repleta de segredos guardados daquele olhar.
Ela olhou para os lados como que buscando um caminho secreto pro seu próprio país das maravilhas, olhou para o céu se despedindo, fechou os olhos e ouviu o clique da maçaneta.

_Meu bem, terminei o banho e estou indo embora. Te ligo assim que puder.

Ele voltaria, ela sabia. Mas ela mesma já não tinha certeza de si, por onde andaria. Talvez fosse embora com a luz ou com a brisa. E deixou ir.
Fechou a janela. 2:37am. Teria menos de quatro horas de sono. O efeito do orgasmo passou.

segunda-feira, novembro 12, 2012

Vida breve

"A vida nunca fora tão curta em meu vasto mundo de pensamentos. Ando exigindo demais dela. Hora quero que tudo passe bem rápido para que eu possa realizar meus sonhos, hora quero que como em um filme eu possa viver em câmera lenta, registrando em minha mente cada momento, por menor que seja. Com você não é diferente. Eu estava beirando o abismo, mas agora percebo que não há tempo para coisas pequenas. O tempo passa rápido e ele exige nossa atenção. O adeus parece ser algo bem triste, quase tão somente insuportável. Falo do adeus inevitável, de um adeus eterno, talvez. Por que, então, nos permitimos viver tão pouco? Por que nos permitimos deixar levar por futilidades, coisas banais? A vida não espera um perdão, um adeus formal. A vida não espera um eu te amo deixado pra última hora, não espera para um último abraço. A vida é bruta, é a parte difícil de estar vivo: viver. Não quero me arrepender por deixar de lado, não quero me arrepender de não ter tentado. O que alimentamos juntos todo esse tempo é grandioso demais para ser desprezado. Chateei-me por motivos que eu sei quais são, mas de que valerão futuramente? Temos que nos consertar no dia-a-dia. Temos que amar o amor. Amanhã? Ninguém sabe... A vida é à vera."