Escrevo agora por dó de mim. Pó de mim. O que resta de mim? Rodopio no meu próprio eixo feito bichinho procurando aconchego, mas o que procuro é bem mais, é bem maior. "Só sei que nada sei" disse Sócrates de Platão dizem por aí. Esse cara, não tenho dúvidas, me conhecia.
Gota por gota, posso ouvir caindo, gota por gota fiz de mim OCEANO (aposto que alguém já citou isto).
Volto ao bichinho em busca de si. Rodopio, rodopio, caio. Caio, machuco. E sem quê nem porquê rodopio de novo. Em busca de mim, tonta que sou, me perco. Não sei onde estou, nem porque. Não sei pra onde vou, nem porque. Não sei o que é dor e não me importo.
Dó de mim por não saber. Rodopio e não me encontro. Saio, bato porta, bato o pé e o coração bate também (como falar de dor e não falar do coração?).
A minha gastrite, agora esquecida, dói bem menos que essa aguda tristeza. Queria eu sentir só a ferida que a endoscopia filmou. A danada da tristeza se alojou e disse não querer partir. Prepotente que é ainda ousa negociar: disse não perder lugar enquanto eu não me encontrar. Dó de mim.
Dó nada. Quero mais é que se foda (peço licença à senhora Poética). Não faço sentido nem a mim, a quem explicar a minha solidão? Solidão sim, tristeza sim, dor sim. Num dizem que admitir é o primeiro passo para a cura? E se for um vício sentir?
Eu não sei.
Nada.
Sei.
Nada sei.
Eu não.
Nada.
Vazio. Sozinha. Rodopio. Perguntas. Caio, sozinha, no vazio. E eu só consigo sentir um tudo e um nada. Você consegue me entender?
Notas de rodapé:
Tentei escrever algo sensato, mas parece que só fará sentido pra mim. O alvoroço dentro e fora é tão grande que não cabe em frases normais e bem pontuadas.
Psicólogos, não me levem tão a sério. Parte de mim é drama injustificável, outra parte, quem sabe, é loucura. E loucura, muito menos a loucura!, precisa de justificativa para ser. O que há em mim eu não sei; Só não desejo perder o controle e transportar insanidade e problemas aos inocentes.
Eu quero buscar a paz mas não deixo de cortejar a dor. Puxo, repuxo e rodopio. Caio no mesmo lugar.
sexta-feira, julho 24, 2015
sábado, março 21, 2015
Trust in me
Trust in me in all you do
Have the faith I have in you
Love will see us through, if only you trust in me
Why don't you trust me?
Come to me when things go wrong
Cling to me daddy and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me
While there's a moon, a moon on high
While there are birds, birds to fly
While there is you, you and II can be sure that I love you...
Stand beside me, stand beside me all the while
Come on daddy face the future, why don't you smile?
Trust in me, and I'll be worthy of you
Why don't you trust in me in all you do?
Have the faith that I have in you
And love will see us through, if only you trust in me
Why don't you come to me, when things go wrong, cling to me and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me...
Etta James
Have the faith I have in you
Love will see us through, if only you trust in me
Why don't you trust me?
Come to me when things go wrong
Cling to me daddy and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me
While there's a moon, a moon on high
While there are birds, birds to fly
While there is you, you and II can be sure that I love you...
Stand beside me, stand beside me all the while
Come on daddy face the future, why don't you smile?
Trust in me, and I'll be worthy of you
Why don't you trust in me in all you do?
Have the faith that I have in you
And love will see us through, if only you trust in me
Why don't you come to me, when things go wrong, cling to me and I'll be strong
We can get along, we can get along if only you trust in me...
Etta James
segunda-feira, março 16, 2015
Um drama de domingo à noite
Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. Acabou. E fim.
quarta-feira, março 11, 2015
A que ponto chegamos...
Perdi o ônibus na volta do trabalho. Peguei o Divisa Mangaratiba mais tarde hoje. (Imagino que o ser superior que rege esse mundo tenha um método muito eficaz de fazer os eventos da vida combinarem.) Naquele ônibus ninguém me conhecia, ou pelo menos eu penso que não. No MEU filme eram todos desconhecidos, suados e cansados, determinados a chegar em casa e ter tudo sob controle. No meu filme não tem trilha sonora, não nesse. Era só eu e os barulhos dentro de mim que eu precisava conter. Por que? "Se solta, garota. Deixa rolar." Não faça isso! Foi um longo dia de trabalho, ninguém quer ver uma menina beirando seus 20 anos abrindo a boca e chorando feito criança, olhando para os lados com cara de quem quer colo e um afago.
Por um momento a menina pálida de coque nos cabelos bagunçados quis parar o ônibus e contar a sua história. Mas que história? Existe uma? É só drama ou coisa qualquer. Um pouco disso e muito daquilo. Talvez o motorista se comovesse com o meu drama e chorasse também e começasse a falar sobre ele. Eu aposto que sua história seria digna daquela plateia.
Corta pro ônibus em movimento. A "viagem" dura 5 minutos. Meu filme não é um longa metragem, é um curta. Acho eu nem seria aplaudida. Desço do ônibus, ninguém notou a angustia que me acompanhava. Entro na minha rua. Nenhum vizinho me recebe com um boa noite. Chego em casa, minha mãe está na varanda e provavelmente vai me abraçar como faz todos os dias. Eu não dou tempo. Entro, tiro as minhas roupas e me desfaço debaixo do chuveiro.
Corta pra pseudo-escritora trancada no quarto enrolada na toalha úmida. É só uma crise. Só mais uma. Saio do quarto e vou em busca do melhor remédio, o abraço da minha mãe que ficou algumas linhas acima.
É só mais um começo. Um dia eu me acostumo.
Por um momento a menina pálida de coque nos cabelos bagunçados quis parar o ônibus e contar a sua história. Mas que história? Existe uma? É só drama ou coisa qualquer. Um pouco disso e muito daquilo. Talvez o motorista se comovesse com o meu drama e chorasse também e começasse a falar sobre ele. Eu aposto que sua história seria digna daquela plateia.
Corta pro ônibus em movimento. A "viagem" dura 5 minutos. Meu filme não é um longa metragem, é um curta. Acho eu nem seria aplaudida. Desço do ônibus, ninguém notou a angustia que me acompanhava. Entro na minha rua. Nenhum vizinho me recebe com um boa noite. Chego em casa, minha mãe está na varanda e provavelmente vai me abraçar como faz todos os dias. Eu não dou tempo. Entro, tiro as minhas roupas e me desfaço debaixo do chuveiro.
Corta pra pseudo-escritora trancada no quarto enrolada na toalha úmida. É só uma crise. Só mais uma. Saio do quarto e vou em busca do melhor remédio, o abraço da minha mãe que ficou algumas linhas acima.
É só mais um começo. Um dia eu me acostumo.
Todos os caminhos
"Eu já me perguntei se o tempo poderá
Realizar meus sonhos e desejos
Será que eu já não sei por onde procurar
Ou todos os caminhos dão no mesmo
E o certo é que eu não sei o que virá
Só posso te pedir
Que nunca se leve tão a sério
Nunca se deixe levar
Que a vida é parte do mistério
E é tanta coisa pra se desvendar
Por tudo que eu andei e o tanto que faltar
Não dá pra se prever nenhum futuro
O escuro que se vê quem sabe pode iluminar
Os corações perdidos sobre o muro"
Lenine
Realizar meus sonhos e desejos
Será que eu já não sei por onde procurar
Ou todos os caminhos dão no mesmo
E o certo é que eu não sei o que virá
Só posso te pedir
Que nunca se leve tão a sério
Nunca se deixe levar
Que a vida é parte do mistério
E é tanta coisa pra se desvendar
Por tudo que eu andei e o tanto que faltar
Não dá pra se prever nenhum futuro
O escuro que se vê quem sabe pode iluminar
Os corações perdidos sobre o muro"
Lenine
Sobre querer ser e o que se é
Me diga, nobre rapaz: é loucura demais sonhar? Ora, os senhores sabem muito bem do que se trata. Sem a necessidade de fechar os olhos e mesmo assim elevar-se ao libertador mundo dos teus sonhos. O senhor consegue sentir o cheiro do seu lugar? A senhorita sente os pés tocarem o solo? E então a sensação de flutuar em um sonho que, na verdade, está armado de mil impossibilidades.
É invisível pra você os limites do teu muro, mas ele está lá! E então tudo de desforma e toma sua antiga forma. A caixa está como havia deixado, vazia e cheira umidade. A chamamos Vida, não é mesmo? É uma linda caixa (vazia)... Como um ser em sã consciência pode se querer fora da caixa? Afinal, é tão grande lá fora e tem espécies perigosas com diferentes maneiras de se tratar. Poderia experimentar suas comidas, mas certamente iria regurgitar ou então queimar a língua. Mas que diabos! Lembraria disto o resto da semana, talvez o mês ou quem sabe jamais esqueceria. Por que poderia ser agradável memórias de diferentes aromas, sabores, olhares, "olás" e "adeus"?
É uma constante ou totalmente irracional? De qualquer forma eu nunca fui boa em matemática mesmo, talvez eu tenha nascido incumbida de pensar e parafrasear os verbos de ligação: ser, estar, ficar, continuar". O que você está sendo? Você quer ficar? Onde você poderia estar? São os seus sonhos, você escolhe continuar, ou acordar...
Corta para o som das batidas do coração. Fecha nos olhos. Fecha os olhos. É o fim.
Será?
É invisível pra você os limites do teu muro, mas ele está lá! E então tudo de desforma e toma sua antiga forma. A caixa está como havia deixado, vazia e cheira umidade. A chamamos Vida, não é mesmo? É uma linda caixa (vazia)... Como um ser em sã consciência pode se querer fora da caixa? Afinal, é tão grande lá fora e tem espécies perigosas com diferentes maneiras de se tratar. Poderia experimentar suas comidas, mas certamente iria regurgitar ou então queimar a língua. Mas que diabos! Lembraria disto o resto da semana, talvez o mês ou quem sabe jamais esqueceria. Por que poderia ser agradável memórias de diferentes aromas, sabores, olhares, "olás" e "adeus"?
É uma constante ou totalmente irracional? De qualquer forma eu nunca fui boa em matemática mesmo, talvez eu tenha nascido incumbida de pensar e parafrasear os verbos de ligação: ser, estar, ficar, continuar". O que você está sendo? Você quer ficar? Onde você poderia estar? São os seus sonhos, você escolhe continuar, ou acordar...
Corta para o som das batidas do coração. Fecha nos olhos. Fecha os olhos. É o fim.
Será?
quarta-feira, novembro 05, 2014
Da janela de seu quarto ela observava, paralisada, a luz do poste da rua, e percebia o quão insignificante era. Ela, ainda regozijando de seu momento tenro de êxtase pós coito, não se dava o luxo de tentar entender ou conciliar o porque aquela luz, aquela distância, aquele vazio a fascinava tanto. Só soube sentir. E sentia tanto muito quanto nada.
Podia ouvir as crianças brincando na rua, gargalhando felizes, mas sabia que aquele momento era só dela.
Ficou ali parada e pode ver os primeiros pingos de chuva caírem e serem descobertos pela luz do poste. Ela sentia, ainda mais intenso, fazer parte de cada segundo que a natureza e a vida se transformavam. A luz do poste de repente apagou... Sentiu seu coração doer como um amigo que parte. Eu juro, seus olhos marejaram e quase chorei com ela, pois a luz que se apagou não refletia tão bem em seus olhos como a lua que agora ela enxergava.
Uma leve, tão leve brisa tocou-lhe o rosto quase como um afago e ela sentiu-se novamente presa àquele momento. Abria os lábios, mexia-os tão lenta e delicadamente comos se fosse entoar uma poesia ou então uma canção pra lua, pro céu, pra brisa ou pra luz do poste que se foi repleta de segredos guardados daquele olhar.
Ela olhou para os lados como que buscando um caminho secreto pro seu próprio país das maravilhas, olhou para o céu se despedindo, fechou os olhos e ouviu o clique da maçaneta.
_Meu bem, terminei o banho e estou indo embora. Te ligo assim que puder.
Ele voltaria, ela sabia. Mas ela mesma já não tinha certeza de si, por onde andaria. Talvez fosse embora com a luz ou com a brisa. E deixou ir.
Fechou a janela. 2:37am. Teria menos de quatro horas de sono. O efeito do orgasmo passou.
Podia ouvir as crianças brincando na rua, gargalhando felizes, mas sabia que aquele momento era só dela.
Ficou ali parada e pode ver os primeiros pingos de chuva caírem e serem descobertos pela luz do poste. Ela sentia, ainda mais intenso, fazer parte de cada segundo que a natureza e a vida se transformavam. A luz do poste de repente apagou... Sentiu seu coração doer como um amigo que parte. Eu juro, seus olhos marejaram e quase chorei com ela, pois a luz que se apagou não refletia tão bem em seus olhos como a lua que agora ela enxergava.
Uma leve, tão leve brisa tocou-lhe o rosto quase como um afago e ela sentiu-se novamente presa àquele momento. Abria os lábios, mexia-os tão lenta e delicadamente comos se fosse entoar uma poesia ou então uma canção pra lua, pro céu, pra brisa ou pra luz do poste que se foi repleta de segredos guardados daquele olhar.
Ela olhou para os lados como que buscando um caminho secreto pro seu próprio país das maravilhas, olhou para o céu se despedindo, fechou os olhos e ouviu o clique da maçaneta.
_Meu bem, terminei o banho e estou indo embora. Te ligo assim que puder.
Ele voltaria, ela sabia. Mas ela mesma já não tinha certeza de si, por onde andaria. Talvez fosse embora com a luz ou com a brisa. E deixou ir.
Fechou a janela. 2:37am. Teria menos de quatro horas de sono. O efeito do orgasmo passou.
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